Xilogravuras

Esse post fala um pouco da história da xilogravura – arte que particularmente acho fascinante. Espero que gostem, e por favor, comentem.

A palavra xilogravura vem do grego, é formada por duas palavras, xilon que significa madeira e grafo que significa gravar. Trata-se de gravuras entalhadas em madeira e utilizadas como um carimbo de impressão.

A xilogravura é uma arte antiga, mas não existem registros de  seu autor nem da data de sua criação. “A xilografia em papel mais antiga, dentre as que se conhece, ilustra um exemplar da oração budista Sutra Diamante, editada por Wong Chieg, na China, no ano 868”, destaca Antonio Fernando Costella, diretor do Museu da Xilogravura.

“Sutra do Diamante” Oração budista impressa em xilogravura na China, em 868

Essa arte foi muito comum como modo de impressão de livros, entre outros tipos de publicações durante muitos anos. A criação de desenhos em alta definição foi uma técnica chamada de xilogravura de topo, criada por Thomas Bewick, um importante gravador inglês que viveu entre o final do século XVIII e início do XIX. Thomas Bewick conquistou em 1775 o prêmio de gravura da Sociedade de Arte de Londres, e a xilogravura de topo foi largamente utilizada durante um século, quando perdeu seu espaço para o clichê metálico.

Algumas gravuras de Thomas Bewick:

Ilustração de Bewick para a fábula de O pescador e o peixinho

À margem dessa arte erudita vinda da Europa, no Brasil, a xilogravura tornou-se característica da literatura sertaneja nordestina, ilustrando as histórias cantadas em repentes, criando assim a literatura de cordel. A xilogravura brasileira completou cem anos em 2007, ano em que foi inaugurada a Exposição 100 Anos da Literatura de Cordel em Brasília, no Anexo do Palácio do Planalto.

A primeira aparição da xilogravura na Literatura de Cordel foi em 1907, nos cordéis de Leandro Gomes de Barros e Francisco Chagas Batista narrando as aventuras do cangaceiro Antônio Silvino e depois de seu sucessor, Lampião.   Em seu desabrochar como arte, a xilogravura se apresenta como a mais rica e instigante expressão plástica da cultura rural brasileira. (Saiba mais no site da exposição. link)

Abaixo seguem alguns desenhos de xilogravuras brasileiras:

O cavalo que defecava dinheiro, de Leandro Gomes de Barros
acabou se transformando no “gato que descomia dinheiro”
da peça de Suassuna. (Desenho: Klévisson Viana)

Xilogravura de Stênio retirada de capa de folheto de Cordel: ‘A chegada de Lampião no Inferno’. (Coleção do autor).

 

 Quem inventou esse “S” 
  Com que se escreve saudade 
    Foi o mesmo que inventou 
      O “F” da falsidade 
        E o mesmo que fez o “I” 
           Da minha infelicidade 

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