Jeito Caipira

A música sertaneja vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário musical brasileiro, com um novo estilo que ficou conhecido como o sertanejo universitário. As tradicionais duplas sertanejas ganharam uma nova roupagem, com músicas mais animadas que falam de temas mais abrangentes, dando espaço até para cantores solos – como Luan Santana e Michel Teló – nesse cenário onde as duplas sempre comandaram.

Nesse post gostaria de mostrar uma canção das antigas, composta por Joel Marques e Macaraí e muito bem interpretada pela dupla Chitãozinho e Xororó, a música “Caipira” é uma típica música sertaneja. De uma época onde as letras refletiam as histórias e pensamentos das pessoas que viviam no sertão, cuidando do seu pedacinho de terra, do transporte de gado, com as dificuldades e alegrias que essa vida podia lhes proporcionar. Nessa versão, Chitãozinho e Xororó atentaram para o modo como o caipira fala, sendo assim resolvi colocar a letra conforme a canção.

Caipira

 

O que eu visto num é linho
Ando inté de – pé no chão
E o cantar de um passarinho
É pra mim uma canção
Vivo com a poeira da enxada
Intranhada no nariz
Trago a roça bem plantada
Pra servir o meu país

Sou, sou desse jeito e num mudo
Na roça nóis tem de tudo
E a vida num é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orguio de ser caipira

Doutor, eu num tive estudo
Só sei memo é trabaiar
Nessa casa de matuto
É bem-vindo quem chegar
Se tenho as mão calejada
É do arado rasgando o chão
Se a minha pele é queimada
É o sor forte do sertão.

Sou, sou desse jeito e num mudo
Na roça nóis tem de tudo
E a vida num é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orguio de ser caipira

Enquanto arguém faz guerra
Trazendo fome e tristeza
Minha luta é com a terra
Pra num fartar pão na mesa
Das vez  vou à cidade
Mas num sei falar direito
Pois caipira de verdade
Nasce e morre desse jeito

Sou, sou desse jeito e num mudo
Na roça nóis tem de tudo
E a vida num é mentira
Sou, sou livre feito um regato
Eu sou um bicho do mato
Me orguio de ser caipira.

Quem se identificou ou simplesmente gostou do post deixe um comentário. Beijos!!

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“Está lá ao deus dará”

Ultimamente ando mais musical que o normal…

A frase título desse post faz parte da canção Mormaço, da banda Paralamas do Sucesso com Participação especial de Zé Ramalho, ao assisti ao videoclipe dessa música decidi fazer uma homenagem a Região Nordeste. Apesar de nos últimos dias estar fazendo um friozinho,-pelo menos por aqui, na região litorânea- nossa região é conhecida pelo típico calor intenso, e nesse ano passou por uma grande seca que prejudicou muitas famílias do interior, onde o abandono governamental é marcante, o que traduz bem a frase que escolhi para o título dessa postagem. Sendo assim, selecionei três videoclipes que cantam esse tema. Espero que gostem da série que apesar de falar sobre um tema triste, são belas canções.

O primeiro videoclipe é o que me deu a ideia do post. Canção Mormaço:

O próximo clipe ficou muito divertido, a banda Mombojó canta Papapa em um vídeo onde mistura dança e elementos de séries japonesas.

O último vídeo trata o tema da seca por um aspecto mais dramático, com a música Suplica Cearense do baiano Waldeck Artur de Macedo, o Gordurinha-que fala na voz de um sertanejo rezando por chuva-a banda O Rappa traz um vídeo que apresenta a história de Canudos.

Escolhi esses vídeos não só pelo que é cantado, mas também pela produção, criatividade e a admiração que tenho por essas bandas. Até a próxima.

Stomp

O segundo post musical do blog traz um grupo incrível que conheci recentemente. O Stomp é um dos mais conhecidos e importantes grupos de percussão do mundo, criado por Cresswell e Steve McNicholas, o grupo nasceu na Inglaterra em 1991 na cidade de Brighton. A palavra stomp significa em inglês, batida de pés ou dança com passos duros, e é com muita energia que os integrantes do grupo Stomp apresentam-se em empolgantes espetáculos que mistura muita música, teatro e dança.

Não importa seu gosto musical, cabe tudo e um pouco mais nas apresentações do Stomp, jazz, dança clássica, pop, etc. O grupo utiliza dos materiais mais inusitados para extrair seu som, vassouras, latões de lixo, galões de água, blocos de construção, tampas de panelas, caixas de fósforos, realmente é uma infinidade de instrumentos, além da expressão corporal de exímios bailarinos que se expressam de maneira singular e surpreendentes.

Assista ao vídeo de uma apresentação do Stomp:

Atualmente, existem quatro elencos do Stomp, sendo dois na Inglaterra (um fixo e um para turnês mundiais) e dois nos Estados Unidos, seguindo a mesma filosofia. E é em Nova York no grupo fixo que o brasileiro Marivaldo dos Santos trabalha desde 1996. Compositor, músico percussionista e produtor, esse baiano de 40 anos consolidou sua carreira no exterior com muito ritmo e talento.

O percussionista Marivaldo dos Santos em cena no Stomp.

Nascido em Salvador, Marivaldo dos Santos começou cedo a se interessar pela música, frequentava a escola de samba Diplomatas de Amaralina, uma das primeiras de Salvador e que foi fundada por seus pais. Mais tarde integrou a companhia da irmã e coreógrafa, Rosângela Silvestre, mas a paixão pela percussão o levou para outros caminhos. “Gostava do que fazia, mas não sabia se era exatamente aquilo que queria seguir. Na verdade, dançava, mas meu coração batia no compasso da percussão”, revela.

Apesar de ser integrante do grupo fixo de Nova York, Marivaldo sempre viaja com o Stomp em suas apresentações pela América Latina. E agora suas vindas a Salvador vão ser cada vez mais frequentes, tudo por causa do seu projeto: o Quabales.

O Quabales é um projeto socioeducativo que está sendo desenvolvido em parceria com o Stomp por meio de oficinas de percussão e expressão corporal em Nordeste de Amaralina, bairro da periferia da capital baiana, onde Marivaldo nasceu e cresceu. “Era um sonho que eu tinha ha muito tempo, e certamente muitos desses jovens que estão participando nunca viram algo como o Stomp, que tem essa coisa do movimento, com o som e o teatro. O projeto está começando aqui e espero que se expanda Brasil afora. Vai servir para formar não só futuros artistas, quem sabe até novos integrantes do Stomp, mas também para outras áreas das artes como técnicos de som, iluminadores etc.”, revela Marivaldo em uma entrevista ao jornal Estado de Minas. (Leiam mais da entrevista aqui, e também ao vídeo introdutório do documentário sobre o projeto Quabales.)

Marivaldo atuando no Quabales

As oficinas são ministradas por percussionistas e dançarinos capacitados, além de integrantes e ex-integrantes do Stomp. Podemos esperar o surgimento de grandes artistas  vindos do Quabales. E o blog Trancilim continuará torcendo e acompanhando esse belo projeto.

Conheça também o site do projeto Quabales.

O “Shake” musical da Banda Uó

A novela Cheias de Charme exibida pela Rede Globo, chama atenção para um movimento que vem crescendo cada vez mais no Brasil, o Tecnobrega.  O tecnobrega, em termos gerais, é um gênero que descende de uma seleção de elementos nascidos de variações da música eletrônica combinados com elementos de diversas referências musicais cultivadas no Brasil e que, aos poucos, foi ganhando um padrão próprio em Belém, sob o nome de brega.

É esse ritmo bem brasileiro que move um trio vindo de Goiânia, a Banda Uó, que aos poucos vem conquistando seu espaço no cenário pop nacional. Creio que muitos já ouviram falar desse grupo formado por David Sabbag, Mel e Mateus Carrilho, eles já participaram de alguns programas na TV, como o programa Esquenta da Rede Globo, apresentado pela Regina Casé nas tardes de domingo durante o verão, e também foram destaques na apresentação da premiação de música brasileira, o VMB de 2011, promovido pela MTV, onde ganharam o prêmio de Webclip com o vídeo que emplacou a banda no cenário musical brasileiro, Shake de Amor”.

Banda Uó

Tudo começou quando Mateus Carrilho resolveu gravar um vídeo com uma versão brega da música Teenage Dream, da Katy Perry, que na versão dos goianos ganhou o nome “Não Quero Saber”, para a divulgação de uma festa. A banda fez outras versões de músicas gringas, sempre divertidíssimas com clipes muito estilosos, como o da música O Gosto Amargo do Perfume (vídeo que eu mais gosto! J), versão da música Something Good Can Work do Two Door Cinema Club. Assistam o vídeo dessa música – ah, e reparem no figurino, é DEMAIS!!

“Sempre gostamos de fazer paródia. E foi assim que ‘Shake’ nasceu. Estávamos ouvindo música no carro e começamos a inventar. Aí chegamos nessa história de uma mulher que foi enganada e quer se vingar”, conta Mateus, sobre o nascimento da música. Ele também dirigiu e fez o roteiro do vídeo. “Fizemos tudo no truque, não gastamos nem 500 reais”, relembra.