“Um dois três indiozinhos”- e o graffite de Cranio

Outro dia eu estava olhando umas imagens em um site que eu adoro, onde encontrei umas imagens de pinturas em graffite de um artista brasileiro que chamaram minha atenção – primeiro porque eu gosto muito de graffite e arte de rua, segundo pelos temas abordados pelo autor dessas pinturas. Fábio de Oliveira, mais conhecido como Cranio é o criador dos polêmicos indiozinhos que estampam muros em vários pontos da cidade de São Paulo. Cranio faz críticas que podem ser claramente vista em suas pinturas, de uma forma bem humorada – o que aproxima ainda mais sua arte com a realidade dos brasileiros. Em suas obras podemos observar protestos contra a destruição do meio ambiente, ao consumismo, ao capitalismo, onde indiozinhos azuis protagonizam cenas em que tentam integrar-se na sociedade contemporânea, denunciando de forma satírica muitos dos exageros nocivos que caracteriza a sociedade atual.

Além dos muros de São Paulo, Cranio já expôs em algumas galerias e tem seu trabalho reconhecido internacionalmente. Sobre sua preferência em pintar nos muros da cidade, e que é de muitas maneiras uma arte efêmera, Cranio diz: “A paixão de pintar pela cidade é o que me marca, passar por um lugar e ver seu desenho e as pessoas admirando, não tem preço”.

Abaixo seguem algumas imagens que selecionei para que vocês possam conferir um pouco do talento de Fabio de Oliveira, o Cranio.

A propósito, a página em que encontrei as imagens é Tagged with amazonian tribal culture on We Heart It.

Stomp

O segundo post musical do blog traz um grupo incrível que conheci recentemente. O Stomp é um dos mais conhecidos e importantes grupos de percussão do mundo, criado por Cresswell e Steve McNicholas, o grupo nasceu na Inglaterra em 1991 na cidade de Brighton. A palavra stomp significa em inglês, batida de pés ou dança com passos duros, e é com muita energia que os integrantes do grupo Stomp apresentam-se em empolgantes espetáculos que mistura muita música, teatro e dança.

Não importa seu gosto musical, cabe tudo e um pouco mais nas apresentações do Stomp, jazz, dança clássica, pop, etc. O grupo utiliza dos materiais mais inusitados para extrair seu som, vassouras, latões de lixo, galões de água, blocos de construção, tampas de panelas, caixas de fósforos, realmente é uma infinidade de instrumentos, além da expressão corporal de exímios bailarinos que se expressam de maneira singular e surpreendentes.

Assista ao vídeo de uma apresentação do Stomp:

Atualmente, existem quatro elencos do Stomp, sendo dois na Inglaterra (um fixo e um para turnês mundiais) e dois nos Estados Unidos, seguindo a mesma filosofia. E é em Nova York no grupo fixo que o brasileiro Marivaldo dos Santos trabalha desde 1996. Compositor, músico percussionista e produtor, esse baiano de 40 anos consolidou sua carreira no exterior com muito ritmo e talento.

O percussionista Marivaldo dos Santos em cena no Stomp.

Nascido em Salvador, Marivaldo dos Santos começou cedo a se interessar pela música, frequentava a escola de samba Diplomatas de Amaralina, uma das primeiras de Salvador e que foi fundada por seus pais. Mais tarde integrou a companhia da irmã e coreógrafa, Rosângela Silvestre, mas a paixão pela percussão o levou para outros caminhos. “Gostava do que fazia, mas não sabia se era exatamente aquilo que queria seguir. Na verdade, dançava, mas meu coração batia no compasso da percussão”, revela.

Apesar de ser integrante do grupo fixo de Nova York, Marivaldo sempre viaja com o Stomp em suas apresentações pela América Latina. E agora suas vindas a Salvador vão ser cada vez mais frequentes, tudo por causa do seu projeto: o Quabales.

O Quabales é um projeto socioeducativo que está sendo desenvolvido em parceria com o Stomp por meio de oficinas de percussão e expressão corporal em Nordeste de Amaralina, bairro da periferia da capital baiana, onde Marivaldo nasceu e cresceu. “Era um sonho que eu tinha ha muito tempo, e certamente muitos desses jovens que estão participando nunca viram algo como o Stomp, que tem essa coisa do movimento, com o som e o teatro. O projeto está começando aqui e espero que se expanda Brasil afora. Vai servir para formar não só futuros artistas, quem sabe até novos integrantes do Stomp, mas também para outras áreas das artes como técnicos de som, iluminadores etc.”, revela Marivaldo em uma entrevista ao jornal Estado de Minas. (Leiam mais da entrevista aqui, e também ao vídeo introdutório do documentário sobre o projeto Quabales.)

Marivaldo atuando no Quabales

As oficinas são ministradas por percussionistas e dançarinos capacitados, além de integrantes e ex-integrantes do Stomp. Podemos esperar o surgimento de grandes artistas  vindos do Quabales. E o blog Trancilim continuará torcendo e acompanhando esse belo projeto.

Conheça também o site do projeto Quabales.

Xilogravuras

Esse post fala um pouco da história da xilogravura – arte que particularmente acho fascinante. Espero que gostem, e por favor, comentem.

A palavra xilogravura vem do grego, é formada por duas palavras, xilon que significa madeira e grafo que significa gravar. Trata-se de gravuras entalhadas em madeira e utilizadas como um carimbo de impressão.

A xilogravura é uma arte antiga, mas não existem registros de  seu autor nem da data de sua criação. “A xilografia em papel mais antiga, dentre as que se conhece, ilustra um exemplar da oração budista Sutra Diamante, editada por Wong Chieg, na China, no ano 868”, destaca Antonio Fernando Costella, diretor do Museu da Xilogravura.

“Sutra do Diamante” Oração budista impressa em xilogravura na China, em 868

Essa arte foi muito comum como modo de impressão de livros, entre outros tipos de publicações durante muitos anos. A criação de desenhos em alta definição foi uma técnica chamada de xilogravura de topo, criada por Thomas Bewick, um importante gravador inglês que viveu entre o final do século XVIII e início do XIX. Thomas Bewick conquistou em 1775 o prêmio de gravura da Sociedade de Arte de Londres, e a xilogravura de topo foi largamente utilizada durante um século, quando perdeu seu espaço para o clichê metálico.

Algumas gravuras de Thomas Bewick:

Ilustração de Bewick para a fábula de O pescador e o peixinho

À margem dessa arte erudita vinda da Europa, no Brasil, a xilogravura tornou-se característica da literatura sertaneja nordestina, ilustrando as histórias cantadas em repentes, criando assim a literatura de cordel. A xilogravura brasileira completou cem anos em 2007, ano em que foi inaugurada a Exposição 100 Anos da Literatura de Cordel em Brasília, no Anexo do Palácio do Planalto.

A primeira aparição da xilogravura na Literatura de Cordel foi em 1907, nos cordéis de Leandro Gomes de Barros e Francisco Chagas Batista narrando as aventuras do cangaceiro Antônio Silvino e depois de seu sucessor, Lampião.   Em seu desabrochar como arte, a xilogravura se apresenta como a mais rica e instigante expressão plástica da cultura rural brasileira. (Saiba mais no site da exposição. link)

Abaixo seguem alguns desenhos de xilogravuras brasileiras:

O cavalo que defecava dinheiro, de Leandro Gomes de Barros
acabou se transformando no “gato que descomia dinheiro”
da peça de Suassuna. (Desenho: Klévisson Viana)

Xilogravura de Stênio retirada de capa de folheto de Cordel: ‘A chegada de Lampião no Inferno’. (Coleção do autor).

 

 Quem inventou esse “S” 
  Com que se escreve saudade 
    Foi o mesmo que inventou 
      O “F” da falsidade 
        E o mesmo que fez o “I” 
           Da minha infelicidade